A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram, na quinta-feira (17), a Operação Vectura Corrupta, terceira fase de uma investigação sobre a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista e no poder público. A ação cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Levi havia sido indicado ao cargo na SPTrans em 2020 pelo então prefeito Bruno Covas (PSDB). Segundo os investigadores, ele teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite, conhecido como Alemão, apontado como intermediário entre empresários, políticos e integrantes do PCC, com o objetivo de tratar de interesses da facção ligados a empresas de transporte. Também foi preso Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande em 2024, cuja campanha, segundo a Polícia Civil, teria sido financiada pela organização criminosa.
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo por quatro vezes ao longo de sete mandatos, é outro alvo da operação. Ele não foi encontrado no imóvel onde os policiais foram cumprir o mandado e passou a ser considerado foragido, embora tenha declarado que estava em compromissos de campanha eleitoral e que pretende se apresentar à polícia, negando as acusações. A investigação aponta que decisões estratégicas de empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Leite, que é apontado ainda como responsável direto pela operação de algumas dessas companhias e como dono de fato da Transwolff, segundo declarações de policiais militares citadas no pedido que embasou a operação.
A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo supostamente controladas direta ou indiretamente pelo PCC, entre elas Viação Transcap, Transwolff, Alfa Rodobus, Pêssego Transportes e Qualibus Transportes, com indícios de fraudes sistemáticas em licitações. A operação também mira a chamada Sintonia dos Gravatas, núcleo formado por advogados que, segundo a polícia, atuaria diretamente em benefício da facção. A Vectura Corrupta é realizada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes com apoio do Gaeco e tem origem na Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024 após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba.
Com informações de G1 São Paulo.
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