O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal realize perícia em todo o material apreendido na Operação Wi-Fi, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. A operação investiga supostos desvios de verbas públicas em favor do filme Dark Horse, produção sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em decisão de 13 de setembro, Dino ordenou a análise de celulares, computadores e documentos apreendidos em junho pela Polícia Civil paulista. Os peritos federais estão reexaminando itens que não haviam sido periciados pelo Instituto de Criminalística de São Paulo e refazendo análises em materiais que já tinham passado por exame no estado. Entre os aparelhos sem perícia prévia estava o celular da empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme e dona da Go Up Entertainment e do Instituto Conhecer Brasil, entidade com contrato de R$ 108 milhões anuais com a prefeitura de São Paulo para instalação de wi-fi na periferia da capital.
A Polícia Civil de São Paulo identificou, em relatório, suspeitas de que recursos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear a produção do filme. O documento aponta diferença de R$ 26 milhões entre o valor pago pelo município e o custo estimado pelo efetivo fornecimento do serviço, além de irregularidades no edital de contratação. O senador Flávio Bolsonaro também é investigado pela PF em inquérito separado, autorizado pelo ministro André Mendonça, para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no contexto do financiamento do filme.
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