A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira uma nova etapa da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis vantagens indevidas envolvendo integrantes do Banco Master e pessoas ligadas ao meio político. Entre os alvos estão o senador Ciro Nogueira e Felipe Cançado, apontado pelos investigadores como primo do banqueiro Daniel Vorcaro.
Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, porque a apuração envolve autoridade com foro privilegiado. Policiais federais cumpriram buscas no Distrito Federal, em São Paulo, Minas Gerais e no Piauí. Felipe Cançado também foi alvo de prisão temporária.
A investigação começou após a análise de operações financeiras consideradas atípicas e ganhou novo rumo depois da apreensão do celular de Daniel Vorcaro em fases anteriores da Compliance Zero. Segundo relatórios enviados ao STF, mensagens encontradas pelos investigadores citam pagamentos, articulações políticas e discussões relacionadas a interesses do banco dentro do Congresso Nacional.
Os investigadores analisam conversas que mencionariam o nome de Ciro Nogueira ligado a negociações envolvendo propostas legislativas. Uma das medidas citadas no material trata da ampliação do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, mecanismo usado para proteger clientes de instituições financeiras em caso de quebra bancária. A PF suspeita que integrantes do Banco Master participaram da construção da proposta apresentada no Legislativo.
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que o senador não recebeu valores irregulares e que não participou de qualquer negociação ilegal. Pessoas ligadas ao parlamentar também sustentam que ele conhecia Daniel Vorcaro apenas de forma institucional e negam relação financeira entre os dois.
Já os advogados ligados ao Banco Master disseram que a instituição mantém colaboração com as autoridades e que as operações do grupo seguem dentro das regras do sistema financeiro. A defesa de Daniel Vorcaro também nega irregularidades.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, caixa dois, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A PF tenta identificar se houve uso de influência política para beneficiar interesses privados ligados ao banco em troca de pagamentos ou vantagens ocultas.
Nos bastidores de Brasília, a nova fase da investigação aumentou a pressão sobre aliados do Centrão e voltou a colocar o nome de Ciro Nogueira no centro das discussões políticas, principalmente porque ele ocupou posição de destaque no governo Jair Bolsonaro e segue como uma das principais lideranças do PP no Senado.
Investigadores também analisam movimentações financeiras, contratos e trocas de mensagens entre empresários e operadores citados no inquérito. Parte do material recolhido nesta fase será encaminhada para perícia da Polícia Federal.
Até o momento, ninguém foi condenado e o caso continua em fase de investigação.
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