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Por Rosinaldo Pires: O que foi dito, o que foi negado e o que ficou evidente

A coluna de Géri Anderson e a denúncia que voltou a assombrar a política de Porto Velho
Por Rosinaldo Pires: O que foi dito, o que foi negado e o que ficou evidente
Reprodução Internet

A coluna do jornalista Géri Anderson falou sobre isso esta semana, e falou de forma direta, sem rodeios. Ele retomou uma denúncia antiga, que durante a campanha eleitoral recente foi tratada como fake news, mas que hoje ganha outro peso diante dos fatos políticos em Porto Velho.

Segundo relembrou o colunista, ainda no período das eleições circulou nas redes sociais e na imprensa de Porto Velho a acusação de que Léo Moraes, então candidato, teria fingido uma conversão para o meio evangélico com o objetivo de conquistar votos da Assembleia de Deus. À época, a denúncia foi duramente combatida, classificada como desinformação e levada à Justiça Eleitoral. Léo Moraes, inclusive, assinou um pacto de combate às fake news, que incluía esse episódio.

Géri Anderson lembra que, formalmente, a Justiça não reconheceu a acusação como fato comprovado. Mas faz um ponto que hoje incomoda, o comportamento do prefeito depois de eleito não ajuda a encerrar a suspeita.

Durante a campanha, como descreve a coluna, Léo Moraes passou a frequentar cultos, rodas de oração e encontros da Assembleia de Deus, quase sempre “de mãos dadas com pastores próximos da vice-prefeita eleita”. A presença era constante, visível e politicamente estratégica. Depois da vitória e, principalmente, após o rompimento com a vice Magna dos Anjos, essa convivência simplesmente acabou.

O colunista é categórico ao registrar que o “prefeito eleito com o voto dos evangélicos nunca mais foi visto nem passando em frente a uma igreja da Assembleia de Deus, quanto mais entrando em um templo”. Para ele, é esse afastamento abrupto que dá nova consistência à denúncia que antes era descartada como mentira eleitoral.

Géri também destaca a repercussão do tema em grupos de WhatsApp sobre política em Rondônia. Um comentário em especial chamou atenção e foi reproduzido na íntegra na coluna. Nele, um membro da igreja faz uma dura cobrança moral ao prefeito, afirmando que ele teria mentido durante a campanha e alertando sobre as consequências de “usar de engano a palavra de Deus”.

O trecho citado pelo jornalista diz, entre outras coisas:
“Aqui ele não finge mais ser crente, mentiu durante a campanha, tinha se convertido… mexeu com Deus, e com Ele eu nunca vi um homem ficar em pé”.

Ao trazer essa fala, Géri Anderson não a trata como prova, mas como sintoma. Um sinal claro de que parte do eleitorado evangélico que ajudou a eleger o prefeito se sente enganada e descartada.

A coluna também contextualiza o peso da Assembleia de Deus na política rondoniense. São centenas de milhares de fiéis, uma estrutura organizada e histórico de influência direta em eleições. O próprio jornalista lembra casos passados de políticos ligados à igreja que acabaram envolvidos em escândalos, usando esses exemplos como alerta sobre os riscos de misturar fé evangélica e projeto pessoal de poder.

Sobre a vice-prefeita, Géri afirma que Magna dos Anjos foi excluída dos planos políticos do prefeito após sinalizar intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa e não apoiar o nome defendido pelo núcleo familiar de Léo Moraes dentro da gestão. Com isso, acordos firmados com pastores e lideranças evangélicas durante a campanha teriam sido abandonados.

Ao final, a coluna não afirma que houve crime eleitoral comprovado. O que ela faz é algo mais incômodo, conectando discurso e prática. Mostra que a denúncia rejeitada no calor da campanha ganha nova leitura quando o político eleito abandona, sem explicação, o espaço que o projetou.

Como conclui Géri Anderson, a política segue igual. O enredo se repete, os personagens mudam, e o eleitorado evangélico, mais uma vez, fica com a sensação de ter servido apenas usado como degrau para a conquista do poder.

Texto baseado na Coluna de Géri Anderson

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