Problemas Ambientais e Sociais na Comunidade Paulo Leal em Porto Velho

A história da comunidade está ligada à construção e operação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no início do século XX.
Problemas Ambientais e Sociais na Comunidade Paulo Leal em Porto Velho
Reprodução Internet

Os moradores da comunidade Paulo Leal, em Porto Velho (RO), enfrentam sérias dificuldades, como contaminação por agrotóxicos, proliferação de animais peçonhentos e o aumento nos casos de malária e dengue. Essas questões foram destacadas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) em relatório enviado ao Ministério Público Federal (MPF), que emitiu uma recomendação exigindo ações do Ibama e de outras instituições competentes para solucionar os problemas:

  1. Identificação e Relatório sobre Agrotóxicos: O Ibama deve identificar quem está utilizando agrotóxicos na região, avaliar possíveis infrações ambientais e elaborar um relatório detalhado.
  2. Informação às Autoridades: O Ibama deve comunicar ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e à Idaron sobre a contaminação, permitindo que essas entidades atuem contra os responsáveis pelas infrações.
  3. Ações Sanitárias: O aumento dos casos de malária e dengue deve ser informado às Agências de Vigilância Sanitária de Rondônia e Porto Velho para a adoção de medidas emergenciais.
  4. Diálogo com a Comunidade: O Ibama deve manter contato contínuo com os representantes da comunidade, garantindo a participação popular nas ações, conforme a Convenção 169 da OIT.

Na recomendação, o procurador da República Raphael Bevilaqua destacou que, ao constatar os problemas sem promover ações concretas, o Ibama negligenciou sua responsabilidade em relação a uma comunidade tradicional. Além de problemas ambientais, os moradores relataram que a aspersão de pesticidas prejudicou suas plantações e criações de animais, além de causar problemas de saúde.

Políticas Públicas para Comunidades Tradicionais

Por ser uma comunidade tradicional, a recomendação foi também encaminhada à Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, para que a comunidade Paulo Leal seja incluída em políticas públicas específicas. Tanto o Ibama quanto a Secretaria têm 15 dias úteis para informar se acatarão a recomendação.

Impactos da Hidrelétrica Santo Antônio

Os problemas relatados pela comunidade também estão associados aos impactos causados pela instalação da Hidrelétrica Santo Antônio. Apesar da proximidade com a barragem, a comunidade Paulo Leal não foi reconhecida entre as áreas diretamente afetadas pela construção. Como parte das ações recomendadas pelo MPF, o Ibama já havia exigido da Santo Antônio Energia a investigação e solução para a infestação de mosquitos Mansonia na região, medida ainda em andamento.

Tanto a recomendação inicial quanto a nova fazem parte de um inquérito civil que investiga os impactos da hidrelétrica na comunidade e as medidas de compensação adotadas.

Reconhecimento da Comunidade como Tradicional

De acordo com um laudo pericial do MPF, a comunidade Paulo Leal é reconhecida como tradicional sob os aspectos sociológico e jurídico (Convenção 169 da OIT e Decreto 6.040/2007). Parte de seu território, localizado na faixa de domínio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, é declarado de interesse público pela Portaria 274/2015 da Superintendência de Patrimônio da União (SPU).

A história da comunidade está ligada à construção e operação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no início do século XX. As famílias que se estabeleceram no local desenvolveram modos de vida próprios, caracterizados por relações culturais e sociais únicas.

Conclusão

O MPF segue acompanhando os desdobramentos das recomendações e as medidas efetivas para solucionar os problemas enfrentados pela comunidade Paulo Leal, reafirmando a importância de proteger os direitos das comunidades tradicionais e o meio ambiente.

Inquérito Civil nº 1.31.000.000719/2017-75

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