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Virginia Fonseca deixa o SBT após dois anos

O encerramento do contrato com o SBT reflete a autonomia da 'creator economy' e os desafios de conciliar a audiência digital com a televisão linear
Virginia Fonseca deixa o SBT após dois anos
Reprodução Internet

A confirmação, nesta quarta-feira (28), de que Virginia Fonseca não renovará seu contrato com o SBT, decretando o fim do programa “Sabadou”, transcende a mera rotatividade de apresentadores na televisão brasileira. O movimento da influenciadora e empresária simboliza um ponto de inflexão na complexa relação entre as celebridades nativas do digital e a mídia tradicional, evidenciando que, no cenário atual, a televisão aberta deixou de ser o ápice necessário para a validação de uma carreira de sucesso.

A aposta do SBT em Virginia foi, desde o início, uma tentativa estratégica da emissora de rejuvenescer sua audiência e capturar uma fatia do engajamento massivo que a influenciadora detém nas redes sociais. O “Sabadou” cumpriu seu papel de entretenimento, mas a sua descontinuidade revela o dilema do “tempo versus retorno” para os grandes nomes da internet. Diferente de apresentadores de carreira, cuja imagem e renda dependem intrinsecamente do vídeo, Virginia construiu um império empresarial, notadamente no setor de cosméticos que demanda gestão ativa. A televisão, com sua rigidez de grade e logística de gravações, acaba competindo com a flexibilidade e a rentabilidade escalável dos negócios digitais.

Ao justificar a saída com o foco em seus empreendimentos no Brasil, a assessoria de Virginia envia uma mensagem clara ao mercado: a “creator economy” (economia dos criadores de conteúdo) atingiu um patamar de maturidade onde a autonomia financeira supera o prestígio da tela da TV. A decisão de não se mudar para Madrid, negando os rumores de que acompanharia o marido Vini Jr., reforça ainda mais a narrativa de independência profissional. Virginia posiciona-se não como “esposa de jogador” ou “ex-apresentadora”, mas como uma CEO que precisa estar fisicamente presente onde seus negócios operam.

Portanto, a saída de Virginia Fonseca do SBT não deve ser lida como um fracasso do projeto televisivo, mas como um reajuste de prioridades típico da era contemporânea. Enquanto a televisão busca desesperadamente a relevância dos números da internet, os gigantes da internet percebem, cada vez mais, que a televisão é apenas mais uma vitrine — e nem sempre a mais lucrativa ou conveniente. O fim do “Sabadou” é a prova de que, para os super-influenciadores de 2026, o controle da própria narrativa e dos próprios negócios vale mais do que o horário nobre.

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