E-SIM

Marcos Rocha oficializa filiação ao PSD e redesenha o tabuleiro eleitoral para 2026

Saída do União Brasil provoca terremoto político, expõe racha no governo e antecipa uma guerra pelo poder em Rondônia
Marcos Rocha oficializa filiação ao PSD e redesenha o tabuleiro eleitoral para 2026
Reprodução Internet

A filiação do governador Marcos Rocha ao PSD não representa apenas uma troca de legenda. Trata se de um movimento político com efeitos estruturais sobre o equilíbrio de forças em Rondônia, ao mesmo tempo em que antecipa, de forma clara, a disputa eleitoral de 2026. A saída do União Brasil encerra um ciclo iniciado ainda na eleição estadual e inaugura uma nova fase, marcada por reposicionamentos, disputas internas e reconfiguração de alianças.

A oficialização ocorreu após meses de especulação nos bastidores e foi confirmada publicamente com o aval direto do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Além de se filiar, Marcos Rocha assumiu o controle do diretório estadual do PSD, o que lhe garante autonomia política e poder de decisão sobre candidaturas e alianças locais. Outrosim, sua entrada insere Rondônia de forma mais direta no projeto nacional da legenda, que já reúne governadores em estados estratégicos do país.

O rompimento com o União Brasil está diretamente ligado ao desgaste da relação com o vice governador Sérgio Gonçalves. O que inicialmente se sustentava como uma parceria administrativa acabou se transformando em um conflito político silencioso, entretanto contínuo, alimentado por divergências internas e disputas por protagonismo. A convivência dentro da mesma sigla tornou se insustentável, levando Rocha a buscar um novo espaço partidário onde pudesse conduzir seus projetos sem amarras.

Do ponto de vista institucional, a mudança produz um efeito imediato. O União Brasil perde o comando direto do Executivo estadual, enquanto o PSD passa a ocupar posição central no tabuleiro político rondoniense. Esse deslocamento altera não apenas a correlação de forças partidárias, mas também o ritmo das articulações para a sucessão estadual e para as eleições proporcionais.

A filiação ao PSD também funciona como etapa preparatória para a provável candidatura de Marcos Rocha ao Senado Federal em 2026. A leitura predominante entre aliados é de que o governador pretende capitalizar os dois mandatos à frente do Palácio Rio Madeira, apresentando se como um nome competitivo em uma disputa de alcance nacional. Sendo assim, a troca de partido não é um gesto isolado, mas parte de um cálculo político de médio prazo.

Esse projeto tende a ganhar musculatura com a migração de integrantes do atual governo para o PSD. Secretários e aliados próximos passam a ser vistos como possíveis candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa, ampliando a presença da legenda nas urnas. Nesse contexto, a primeira dama Luana Rocha também surge como nome viável para a disputa federal, especialmente em função de sua atuação na área social, que lhe garantiu visibilidade junto a diferentes segmentos do eleitorado.

Enquanto isso, a ascensão de Sérgio Gonçalves ao governo, prevista para ocorrer após a eventual desincompatibilização de Rocha, adiciona um novo elemento de incerteza ao cenário político. Com a caneta na mão, o atual vice governador terá condições de estruturar um projeto próprio, em vez de apenas dar continuidade ao grupo que agora se reorganiza em outra legenda. A relação entre os dois campos políticos, portanto, tende a ser marcada por cautela, todavia também por tensão.

Participe da nossa comunidade!
Clique aqui para entrar no grupo do WhatsApp

Back To Top