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FHEMERON: risco no Banco de Sangue de Rondônia, por que essa crise pode afetar você

Atrasos sistemáticos no pagamento de serviços essenciais como limpeza e engenharia clínica transformam a rotina do banco de sangue em uma ameaça sanitária
FHEMERON: risco no Banco de Sangue de Rondônia, por que essa crise pode afetar você
Reprodução Internet

A Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Rondônia – FHEMERON atravessa um momento de instabilidade que ultrapassa os limites da crise administrativa e se torna um perigo real para a população rondoniense. O problema principal reside no fato de que o Governo do Estado de Rondônia mantém empresas prestadoras de serviço sem pagamento há quatro meses, o que gera um efeito dominó sobre toda a estrutura do banco de sangue estadual. Embora as atividades não tenham sido formalmente interrompidas, o funcionamento atual da unidade depende exclusivamente do sacrifício financeiro de fornecedores e trabalhadores terceirizados que sustentam custos operacionais elevados sem qualquer repasse do poder público, configurando uma terceirização do prejuízo estatal.

A gravidade da situação se revela na análise minuciosa dos serviços específicos que operam no limite da exaustão. A interrupção da coleta de lixo biológico e dos serviços de limpeza especializada não representará apenas uma falha estética, mas um perigo sanitário imediato dentro de um ambiente que exige esterilidade absoluta para evitar contaminações. Da mesma forma, o atraso nos pagamentos de engenharia clínica e na manutenção de ar-condicionado que coloca em risco direto a calibração de equipamentos que testam a segurança do sangue e a temperatura rigorosa necessária para conservar as bolsas. Se essas máquinas falham por falta de suporte técnico especializado, todo o estoque de sangue coletado pode ser perdido ou ter sua integridade comprometida, o que causaria um desabastecimento sem precedentes nos hospitais de Porto Velho e em toda a rede do interior.

Diante desse quadro de urgência, a nova diretoria da Fhemeron assume o comando com o dever ético e administrativo de destravar os pagamentos acumulados sob pena de omissão institucional. A liderança do novo presidente Anilto Funez Júnior passa a ser observada com rigor, uma vez que sua gestão possui a responsabilidade imediata de articular junto ao governo estadual a liberação de recursos que garantam a continuidade operacional. A expectativa é que a presidência atue como uma ponte eficiente para encerrar o ciclo de inadimplência que sufoca os parceiros privados e coloca em xeque a segurança dos procedimentos realizados na fundação.

Além do aspecto puramente técnico, a crise atinge o acolhimento humano através da escassez de recursos para alimentação e insumos básicos de recepção. O lanche oferecido ao doador após a coleta não deve ser visto como um benefício opcional, mas como uma necessidade médica obrigatória para garantir a recuperação física de quem se dispõe a ajudar o próximo. Sem esse suporte nutricional e sem o trabalho de vigilância que protege as unidades, o sistema de doação perde sua atratividade e segurança, afastando os voluntários. A narrativa de que se está criando dificuldade para vender facilidade torna-se um desabafo comum entre os fornecedores, que enfrentam burocracias excessivas para liberar verbas que já deveriam estar disponíveis, transformando o que deveria ser o cumprimento regular de contratos em uma situação de exceção e favor político.

Este ambiente de negligência sistêmica já havia sido previsto em novembro de 2025, quando denúncias públicas apontavam que os entraves na liberação de recursos pelo governo estadual sufocavam os serviços essenciais de limpeza e suporte. Ao permitir que o atraso alcançasse a marca de quatro meses, a gestão pública demonstra uma falha de prioridade que empurra empresas sólidas para o limite da falência e trabalhadores para a linha da pobreza. Atualmente, os colaboradores convivem com a insegurança salarial enquanto os empresários assumem prejuízos sucessivos para evitar que cirurgias de emergência e atendimentos de trauma sejam cancelados por falta de sangue conforme as evidências apresentadas meses atrás em nosso editorial que pode ser verificado logo abaixo:

Editorial: crise na Fhemeron aperta e fornecedores anunciam que vão parar

A Fhemeron sobrevive hoje por uma inércia de boa vontade e pelo sacrifício de terceiros que se recusam a abandonar o serviço público em respeito à vida humana. No entanto, é matematicamente impossível manter um banco de sangue operacional sem o funcionamento pleno da engenharia clínica e da higienização especializada por tempo indeterminado. Enquanto a nova presidência e o Governo de Rondônia não regularizarem as dívidas e estabelecerem um cronograma de pagamentos transparente e sem entraves burocráticos, a saúde pública rondoniense estará operando sob o risco de um colapso que pode custar vidas inocentes. O que se exige neste momento não é uma promessa administrativa, mas a responsabilidade efetiva do Estado em manter viva a engrenagem técnica que salva milhares de pessoas todos os dias nos hospitais rondonienses.

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