A Seleção venceu a Escócia por 3 a 0 nesta quarta-feira, 24 de junho, no Hard Rock Stadium, em Miami, e fechou a primeira fase da Copa do Mundo de 2026 na liderança do Grupo C. Vini Jr marcou duas vezes ainda no primeiro tempo, Matheus Cunha ampliou na etapa final e Neymar voltou a vestir a camisa do Brasil depois de mais de dois anos longe do time.
O Brasil de Carlo Ancelotti somou sete pontos, mesma marca de Marrocos, só que ficou na frente pelo saldo de gols. Os marroquinos bateram o Haiti por 4 a 2 na outra partida da chave e passaram em segundo.
Logo no começo a Seleção foi para cima da saída de bola escocesa e bastou sete minutos para sair na frente. Rayan fechou a linha de passe de Scott McKenna, Vini Jr ficou com a sobra, avançou em direção ao gol, passou por Angus Gunn e mandou para a rede. A escalação de Rayan foi a única mudança de Ancelotti em relação ao time que tinha vencido o Haiti. Ele entrou no lugar de Raphinha, fora por lesão, e formou o trio de frente ao lado de Vini Jr e Matheus Cunha.
Sem a bola, o Brasil apareceu bem mais agressivo. Vini Jr e Rayan apertavam os zagueiros, enquanto Matheus Cunha fechava o passe pelo centro e Bruno Guimarães e Lucas Paquetá subiam para travar a saída escocesa. Essa pressão rendeu erros e deixou a defesa adversária desorganizada. Vini Jr ainda balançou a rede de novo depois de roubar a bola de Jack Hendry, mas o árbitro César Ramos anulou o lance após olhar o vídeo e marcar falta do brasileiro.
A anulação e a parada para hidratação esfriaram o jogo por alguns minutos. A Escócia adiantou seus jogadores e tentou chegar por cruzamentos, com McTominay e Shankland rondando a área. A defesa brasileira segurou quase tudo e não deixou os escoceses finalizarem com perigo antes do intervalo. Nos minutos finais da etapa o Brasil voltou a mandar. Aos 48, Matheus Cunha recuperou a bola num carrinho perto da área, Bruno Guimarães puxou pela direita e cruzou para Vini Jr cabecear livre. Foi o quarto gol do camisa 7 nesta Copa. Pouco depois Rayan quase fez o terceiro, mas Gunn desviou a finalização rasteira e evitou um placar mais elástico.
A atuação mostrou uma mudança no jeito de jogar do Brasil. A equipe não viveu só da posse ou das arrancadas de Vini Jr. O primeiro recurso passou a ser a marcação perto da área escocesa, usada para recuperar a bola antes que o adversário organizasse a defesa. Rayan teve papel direto nisso. Mesmo sem marcar, incomodou os zagueiros, ocupou a direita e deu profundidade. Sua presença liberou Vini Jr para jogar mais perto do gol, posição em que o atacante aproveitou os erros escoceses e apareceu para finalizar.
No meio, o time funcionou perto de um losango. Casemiro ficou na frente da defesa, Bruno Guimarães girou pela esquerda e Paquetá ocupou uma faixa mais à direita. Essa divisão deu ao Brasil jogadores em diferentes linhas de passe e ajudou na recuperação da bola quando a posse se perdia. Bruno Guimarães foi quem ligou os setores. Deu as assistências do segundo e do terceiro gol, apareceu perto da área e ainda ajudou Casemiro a controlar o miolo do campo.
A Escócia voltou do intervalo tentando empurrar o Brasil para trás. Alisson trabalhou aos quatro minutos numa cabeçada de McTominay, depois de cruzamento de Kieran Tierney. Só que ao adiantar suas linhas, os escoceses deixaram espaços. Aos 15, Casemiro lançou Bruno Guimarães, que ganhou a disputa e tocou para Matheus Cunha. O atacante surgiu de trás, recebeu perto da entrada da área e bateu no canto de Gunn. Terceiro gol dele na competição. Com a vantagem confortável, Ancelotti administrou o desgaste. Casemiro, ameaçado de suspensão, saiu para Fabinho. Gabriel Martinelli entrou no lugar de Paquetá, e Endrick e Alex Sandro também pegaram os minutos finais.
Neymar voltou aos 30 da etapa final, no lugar de Matheus Cunha. O camisa 10 não jogava pelo Brasil desde 17 de outubro de 2023, quando sofreu uma grave lesão no joelho na derrota para o Uruguai pelas Eliminatórias. Ele começou no banco depois de se recuperar de um problema na panturrilha. Participou de algumas jogadas pelo centro, achou Vini Jr dentro da área pouco depois de entrar, mas o goleiro defendeu. Também cobrou um escanteio que terminou numa tentativa de Gabriel Magalhães. A entrada veio com o jogo já resolvido, o que deixou o retorno mais leve, sem grande carga física. Foi curta e discreta, mas valeu como primeiro teste dentro de uma partida de Copa.
Vini Jr terminou como o nome mais decisivo. Fez dois gols, teve outro anulado, participou da pressão sobre a saída escocesa e ainda criou chances na etapa final. Chegou a quatro gols no Mundial. Jogar mais perto de Matheus Cunha ajudou o camisa 7. Em vez de receber sempre aberto e longe do gol, ele atacou os espaços entre o lateral e os zagueiros, apareceu dentro da área e teve companheiros por perto para tabelar. O Brasil ainda mostrou que pode criar por caminhos diferentes, já que marcou numa recuperação perto da área, num cruzamento e numa troca de passes pelo centro. Essa variedade complicou a defesa escocesa e tirou o time da dependência de uma jogada só.
Atrás, a Escócia apostou nas bolas aéreas, principalmente no segundo tempo, mas esbarrou num Alisson seguro. O goleiro fez as defesas que precisou e ajudou o Brasil a fechar sem levar gol. Marquinhos e Gabriel Magalhães ganharam quase tudo na área. Danilo jogou com cuidado pela direita, enquanto Douglas Santos teve mais liberdade para apoiar pela esquerda. O setor sofreu em alguns cruzamentos, mas não chegou a perder o controle por muito tempo.
A vitória por 3 a 0 foi a atuação mais redonda da Seleção nesta primeira fase, com melhor ocupação dos espaços, pressão combinada e mais gente dentro da área, depois do empate com Marrocos e do triunfo sobre o Haiti. O Brasil volta a campo na segunda-feira, às 14 horas, em Houston. O adversário será o segundo colocado do grupo de Holanda, Japão e Suécia, definição que ainda dependia do fim daquela chave quando este texto foi publicado.
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