O Ministério do Trabalho e Emprego apresentou nesta quinta-feira (25), no Teatro CIEE, em São Paulo, um retrato detalhado da juventude brasileira no mercado de trabalho. São 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos, o que representa 15,4% da população do país, e os números mostram um mercado mais formal e com menos gente desempregada. Mas tem um detalhe que complica esse avanço, e ele aparece justamente na hora de segurar o emprego.
O estudo se chama “Os jovens no Brasil: Permanências e necessidades de mudança” e usou dados da PNAD Contínua do primeiro trimestre de 2026. A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, foi quem mostrou onde esses jovens estão hoje. A maior parte ainda aposta nos estudos. São 12,8 milhões que só estudam, quase 40% do total. Outros 9,6 milhões só trabalham, 4,3 milhões conseguem fazer as duas coisas, e 6,2 milhões não fazem nenhuma das duas, o famoso grupo “nem-nem”.
Esse último número merece atenção. O grupo dos jovens que não estudam nem trabalham cresceu de 5,5 milhões no fim de 2025 para 6,2 milhões no começo de 2026. E quando você olha quem está nesse grupo, vê que a conta pesa mais para um lado. São principalmente mulheres negras e jovens que precisam largar os estudos e o trabalho formal para cuidar da casa e da família. Não é uma escolha simples, é quase uma imposição da situação em que vivem.
Tem também a questão do salário e do tipo de trabalho. O levantamento mostrou que 84% dos jovens estão em funções que não exigem qualificação específica, gente que trabalha em balcão, em escritório, naquele tipo de função que abre porta mas não leva muito longe. A maioria, 7,8 milhões, recebe até um salário mínimo e meio. Só 1 em cada 7 ocupa um posto de nível técnico ou superior. E tem mais: o adolescente que trabalha cumpre em média 27,3 horas por semana, mais de 7 horas além do contraturno escolar, o que acaba brigando direto com o tempo que ele teria pra estudar.
Paula resumiu bem o problema quando comentou os dados. Para ela, essa é uma realidade da nossa sociedade, e o jovem precisa querer chegar a postos melhores, o que exige esforço dele pra estudar mais. Só que ela faz questão de lembrar do outro lado da história, que é uma sociedade que precisa entender que o jovem tem que chegar lá e facilitar a vida dele, em vez de criar empecilhos.
Os avanços existem e são reais. O total de jovens trabalhando chegou a 13,9 milhões, número que já superou o período antes da pandemia em 569 mil pessoas. O desemprego jovem caiu pela metade desde o pico de 2021 e hoje está em 13,8% para quem tem entre 18 e 24 anos. Mesmo assim, esse índice ainda é 2,4 vezes maior que a média nacional, que está em 5,8%. Mais da metade dos jovens que trabalham, 57,8%, têm carteira assinada, somando 8 milhões de pessoas. A informalidade recuou entre os mais velhos, mas ainda alcança 72,8% dos adolescentes de 14 a 17 anos.
Aí chegamos no ponto que dá nome ao estudo. Conseguir o emprego é uma coisa, ficar nele é outra bem diferente. Metade dos adolescentes e quase 40% dos jovens entre 18 e 24 anos passam menos de um ano no mesmo trabalho. Você consegue imaginar o que isso significa pra quem tá começando a vida. A pessoa entra, aprende um pouco, e logo já está procurando outra vaga.
O relatório aponta alguns caminhos pra mudar esse quadro. A ideia passa por elevar a escolaridade e segurar a evasão com programas como o Pé-de-Meia, criar capacitações específicas para o público “nem-nem”, levar mais vagas de aprendizagem para o Norte e o Nordeste, onde a população é proporcionalmente mais jovem, e investir no letramento digital e de inteligência artificial pra preparar essa turma pra funções que pagam melhor.
Rodrigo Dib, superintendente institucional do CIEE, viu na divulgação dos dados uma confirmação do trabalho da instituição. Segundo ele, mais do que gerar oportunidades, o papel do CIEE é abastecer o mercado com conhecimento pra impulsionar a empregabilidade jovem. O CIEE completa 62 anos como a maior ONG de inclusão social e trabalho jovem da América Latina, e já colocou 7 milhões de brasileiros no mundo do trabalho.
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