O Superior Tribunal de Justiça condenou nesta quarta-feira o ex-governador do Acre, Gladson Cameli, a 25 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, peculato e fraude em licitação. A decisão foi tomada pela Corte Especial do STJ após julgamento ligado às investigações da Operação Ptolomeu, conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União e o Ministério Público Federal.
A condenação também prevê multa milionária, indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado do Acre e perda do cargo. Gladson havia deixado o governo em abril para disputar uma vaga ao Senado nas eleições deste ano. A maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, que apontou o ex-governador como líder de uma estrutura formada por empresários, familiares e agentes públicos.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPF, o grupo teria montado um esquema de direcionamento de contratos públicos na Secretaria de Infraestrutura do Acre. O principal foco da investigação envolve a contratação da empresa Murano Construções para obras viárias e serviços de engenharia executados a partir de 2019. Os investigadores afirmam que houve sobrepreço, superfaturamento e desvio de recursos públicos.
De acordo com a acusação, parte do dinheiro teria sido repassada para empresas ligadas à família Cameli. A PF também identificou compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelos investigados. Relatórios técnicos da CGU apontaram prejuízo superior a R$ 16 milhões aos cofres públicos acreanos.
Durante o julgamento, a defesa sustentou que parte das provas deveria ser anulada por supostas irregularidades no início da investigação. Os advogados também afirmaram que Gladson Cameli nunca participou de qualquer esquema criminoso e anunciaram recurso contra a decisão.
A Operação Ptolomeu ganhou alcance nacional desde a primeira fase, em 2021, quando a Polícia Federal cumpriu mandados no Acre e em outros estados. Ao longo das investigações, foram apreendidos documentos, celulares, veículos e valores bloqueados pela Justiça. A apuração passou a atingir integrantes do governo estadual, empresários e pessoas próximas ao então governador.
Gladson Cameli foi eleito governador do Acre em 2018 e reeleito em 2022 pelo PP. Antes disso, atuou como deputado federal e senador. Com a decisão do STJ, ele ainda pode recorrer em instâncias superiores, o que impede execução imediata da pena até o trânsito final do processo.
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