O que se ouve nas rodas de conversa pelos bairros de Porto Velho, do Mocambo à Zona Leste, é sempre a mesma batida. O trabalhador acorda cedo, encara ônibus lotado, rala o dia inteiro e volta pra casa contando as moedas pra pagar aluguel, mercado e impostos. Enquanto isso, nos gabinetes bem refrigerados, sempre aparece alguém metido em golpe, desvio, mutreta com dinheiro público. São presos, soltos, voltam a aparecer em cargos importantes e a vida segue como se nada tivesse acontecido.
Quando um cidadão comum tenta um emprego numa secretaria, a papelada é exigida na hora, certidão disso, certidão daquilo, tudo limpinho. A pergunta que ecoa é essa que vem desde a beira do Madeira até as feiras livres da cidade, como é que gente com ficha suja, processo nas costas e até passagem pela polícia consegue ser nomeada, assinada e empossada sem que nenhum desses documentos impeça. O povo olha aquilo e sente que está vivendo num país onde a conta nunca fecha pro lado de cima.
Enquanto essa engrenagem gira desse jeito, Porto Velho continua sofrendo. A saúde anda capenga nos postos de bairro, a segurança vive de susto em susto, o transporte público tropeça mais do que anda e a educação precisa de chão firme que ainda não chegou. É o retrato de uma capital que tenta seguir em frente, mas carrega velhas dores.
Nas conversas ao entardecer, o recado do povo é direto. Numa eleição, cada voto tem o peso de um rio cheio. A cidade sabe quem já teve a chance de fazer e não fez. Por isso muita gente diz que é hora de olhar com calma, pensar no futuro e escolher quem realmente pode mudar o rumo de Porto Velho, que hoje aparece entre as capitais mais difíceis pra se viver. A vida do trabalhador merece respeito, respostas e caminhos claros. É isso que se espera do próximo passo.
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