As investigações que envolvem o Banco Master e o esquema de fraudes no INSS passaram a produzir efeitos que vão além do campo econômico e criminal. O avanço das apurações tem atingido diretamente o ambiente político e religioso, sobretudo nomes que mantêm relação pública com a Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores denominações evangélicas do país e com forte influência social e política.
Conforme apurado pela Polícia Federal e detalhado em reportagens recentes, o caso do Banco Master ganhou relevância após a deflagração da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros, lavagem de dinheiro e irregularidades na atuação da instituição. O episódio passou a ter reflexos políticos quando surgiram conexões pessoais e empresariais entre investigados e líderes religiosos ligados à Lagoinha, ainda que a igreja, como instituição, negue qualquer participação formal nos fatos.
Um dos nomes que aparecem nas apurações é o do pastor Fabiano Campos Zettel, preso preventivamente durante a operação e posteriormente liberado por decisão judicial. Zettel tem vínculo familiar com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, o que levou investigadores e parlamentares a questionarem a extensão dessas relações. A prisão do pastor, ainda que não tenha resultado em condenação até o momento, ampliou o impacto reputacional do caso sobre o meio religioso e seus interlocutores políticos.
Paralelamente, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprofundou a apuração de um esquema que desviou milhões de reais por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Reportagens apontam que associações e entidades com ligação a grupos religiosos teriam sido utilizadas para operacionalizar parte das fraudes, o que levou deputados a requerer informações sobre a eventual participação de líderes evangélicos e empresários próximos à Lagoinha. As investigações seguem em curso e ainda não resultaram em denúncias formais contra a igreja enquanto organização.
Nesse contexto, políticos que mantêm proximidade pública com a Lagoinha passaram a enfrentar desgaste político, mesmo sem figurarem diretamente como investigados. A simples associação simbólica entre fé, negócios e poder, intensificada pela repercussão dos escândalos, tem sido suficiente para gerar cobranças públicas por esclarecimentos e maior transparência. Parlamentares da oposição, como Rogério Correia e Henrique Vieira, passaram a pressionar o Banco Central e outros órgãos de controle para que expliquem a atuação de empresas ligadas a líderes religiosos, conforme noticiado pelo InfoMoney e pelo ICL Notícias.
Outro ponto que contribuiu para ampliar o debate foi a existência da Clava Forte Bank S A, empresa associada a integrantes do universo da Lagoinha, cuja denominação e atuação levantaram questionamentos sobre possível exercício irregular de atividades financeiras. Deputados protocolaram pedidos formais de esclarecimento ao Banco Central, reforçando a pressão institucional sobre o tema, ainda que não haja, até o momento, comprovação de ilegalidade.
Diante da repercussão, a Igreja Batista da Lagoinha divulgou notas públicas afirmando que não participa de esquemas financeiros nem autoriza o uso de sua estrutura para práticas ilícitas. Líderes da denominação também têm reiterado que eventuais irregularidades dizem respeito a pessoas físicas, não à instituição religiosa. Ainda assim, o impacto político permanece, uma vez que o debate público tende a associar figuras religiosas influentes a projetos de poder e interesses econômicos.
Sendo assim, os escândalos do Banco Master e das fraudes no INSS revelam, mais uma vez, como a interseção entre religião, negócios e política produz efeitos que extrapolam o campo judicial. Enquanto as investigações não são concluídas, políticos ligados à Lagoinha seguem enfrentando desgaste de imagem, pressionados por uma opinião pública cada vez mais atenta às relações entre fé, dinheiro e poder.
Fontes:
Brasil de Fato, reportagem sobre pastores suspeitos de ligação com fraudes no INSS, janeiro de 2026.
InfoMoney, matérias sobre questionamentos ao Banco Central envolvendo empresa ligada à Igreja Batista da Lagoinha.
ICL Notícias e Revista Cenarium, reportagens sobre a CPMI do INSS e a Operação Compliance Zero.
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