Estudantes da FIMCA e METROPOLITANA pedem que colegas evitem perguntas sobre o ocorrido

Atuação de alunos ligados à direção estudantil para conter perguntas divide ambiente acadêmico
Estudantes da FIMCA e METROPOLITANA pedem que colegas evitem perguntas sobre o ocorrido
Reprodução Internet

Um clima de tensão e apreensão passou a fazer parte do cotidiano de alunos da Fimca e da Metropolitana nos últimos dias, depois que relatos começaram a circular sobre restrições a perguntas relacionadas ao caso Juliana Santiago, professora assassinada dentro de sala de aula. Estudantes afirmam que, nas turmas, questionamentos sobre o assunto estariam sendo desencorajados não por professores, mas por alunos ligados à direção estudantil, sob a justificativa de que determinadas perguntas poderiam magoar docentes ou reacender lembranças dolorosas.

De acordo com alunos ouvidos pela reportagem, integrantes da direção estudantil teriam se antecipado a possíveis questionamentos em sala e pedido que o tema não fosse abordado naquele momento, argumentando que o ambiente ainda estaria sensível e que perguntas poderiam gerar constrangimento para professores e colegas. Alguns estudantes relatam que colegas foram interrompidos ao tentar levantar o assunto, o que acabou espalhando receio entre outros que também queriam se manifestar.

Fontes internas afirmam que essa atuação ocorre de forma organizada e rápida, o que levou parte dos alunos a interpretar a movimentação como uma tentativa de evitar que o caso Juliana Santiago seja discutido no cotidiano das aulas. Não há confirmação pública de que exista uma orientação formal da direção das faculdades nesse sentido, e até o momento não houve manifestação oficial detalhando qual deve ser a postura institucional diante do tema.

Do ponto de vista psicológico, a postura de evitar o assunto pode ser compreendida como uma reação de proteção coletiva, porque quando um fato traumático acontece dentro de um espaço comum como a sala de aula, aquele local passa a carregar uma carga emocional intensa, e muitas pessoas ainda podem estar lidando com medo, tristeza ou sensação de vulnerabilidade. Nesse contexto, tentar impedir perguntas pode ser entendido por alguns como uma forma de preservar quem ainda não se sente preparado para revisitar o ocorrido.

Por outro lado, quando o controle sobre o que pode ou não ser perguntado parte de colegas e não de uma orientação institucional clara, cria-se um ambiente de vigilância informal que pode aumentar a ansiedade e a autocensura, já que alunos passam a medir cada palavra com receio de retaliação ou exposição. O silêncio, que para uns representa cuidado, para outros passa a significar restrição, e essa ambiguidade contribui para uma atmosfera em que o tema permanece presente na memória coletiva, mas sem espaço definido para ser tratado dentro da própria universidade.

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