Pacientes com câncer em tratamento no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, relatam meses sem acompanhamento médico após a saída de oncologistas da unidade. Os casos incluem consultas canceladas repetidamente e interrupção da quimioterapia, sem previsão de retomada.
José Luiz Garcia de Andrade teve consultas desmarcadas em sequência. A primeira foi cancelada após a saída de um médico, a segunda após a saída de outra profissional, e uma terceira foi novamente inviabilizada pelo mesmo motivo. O hospital informou que aguardava a contratação de novos oncologistas para convocar os pacientes. Nazaré Falcão, que faz tratamento na unidade há quatro anos, afirma estar há três meses sem médico e sem quimioterapia. A diarista Áurea Cristina também aguarda avaliação há três meses e teme ficar sem a medicação prescrita por um profissional que já não atende mais na unidade.
O Hospital do Andaraí foi municipalizado há dois anos. A Prefeitura do Rio recebeu R$ 100 milhões do Ministério da Saúde para ações emergenciais e anunciou a contratação de 800 trabalhadores. A gestão municipal reconheceu dificuldades para preencher vagas na oncologia e informou que há editais abertos para contratação de novos profissionais. Fontes ouvidas pela reportagem apontam a terceirização por meio de organizações sociais como um dos fatores que dificultam a atração e a retenção de médicos. Em nota, a Prefeitura afirmou que o atendimento dos pacientes citados será agendado para a semana seguinte.
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