Uma organização criminosa que transportava toneladas de drogas de Rondônia para outros estados brasileiros sofreu uma condenação judicial que ultrapassa 374 anos de prisão. Ao todo, 18 integrantes do grupo foram condenados pela Justiça Estadual, após uma investigação da Polícia Federal que identificou um esquema de tráfico interestadual de entorpecentes e lavagem de dinheiro.
A decisão foi divulgada nesta terça-feira (27), pela Polícia Federal em Vilhena, no sul de Rondônia. O caso é resultado da Operação Carga Fria, deflagrada em dezembro de 2024, depois de investigações que identificaram a atuação da organização entre os anos de 2022 e 2024.
Durante esse período, o grupo transportou grandes carregamentos de drogas de Rondônia para a região Sudeste, principalmente para São Paulo. As investigações resultaram na apreensão de mais de 2,4 toneladas de entorpecentes, incluindo cocaína, pasta-base de cocaína e skunk.
Em uma única ocorrência atribuída à organização, os policiais apreenderam quase uma tonelada de drogas.
Empresas de fachada e autoescola eram usadas para esconder dinheiro do tráfico
A investigação também identificou como o dinheiro obtido com as atividades criminosas era ocultado. Segundo a Polícia Federal, integrantes da organização utilizavam empresas de fachada ligadas ao setor de transportes, registradas em nome de terceiros, para esconder patrimônio e movimentar recursos provenientes do tráfico.
Entre os negócios identificados estava uma autoescola adquirida com dinheiro de origem criminosa. A utilização desses estabelecimentos fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro apurado pelos investigadores.
Durante as diligências, os policiais também apreenderam uma máquina de gravação a laser utilizada na fabricação de lacres falsificados.
A presença de empresas de transportes entre os negócios utilizados pelo grupo chamou a atenção dos investigadores, já que a organização também atuava no deslocamento de grandes carregamentos de entorpecentes entre diferentes estados.
Caminhões, imóveis, joias e dinheiro serão perdidos para a União
Além das penas de prisão, a sentença determinou a perda de bens vinculados às atividades criminosas em favor da União.
A decisão alcança caminhões, semirreboques, outros veículos, imóveis, joias, valores em dinheiro e empresas utilizadas para a ocultação de patrimônio.
A Polícia Federal não divulgou o valor total dos bens atingidos pela sentença, mas confirmou que a determinação judicial inclui tanto o patrimônio relacionado ao transporte dos entorpecentes quanto os estabelecimentos utilizados no esquema de lavagem de dinheiro.
Condenações envolvem diferentes crimes
Os 18 integrantes receberam condenações relacionadas à participação de cada um nas atividades da organização criminosa.
Entre os crimes reconhecidos na decisão estão organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e fuga do local de acidente de trânsito.
As penas somadas ultrapassam 374 anos de reclusão. Esse número corresponde ao total das condenações aplicadas aos 18 réus, e não à pena individual de uma única pessoa.
O comunicado da Polícia Federal não apresentou os nomes dos condenados, as penas individuais ou informações sobre eventual apresentação de recursos contra a sentença.
Investigação começou antes da Operação Carga Fria
Embora a operação tenha sido deflagrada em dezembro de 2024, as investigações identificaram atividades criminosas praticadas entre 2022 e 2024.
Nesse intervalo, a Polícia Federal reuniu informações sobre o transporte das drogas, as apreensões de entorpecentes e a estrutura patrimonial utilizada pelos envolvidos.
A condenação divulgada em 27 de outubro de 2026 é resultado desse trabalho investigativo e da posterior análise judicial das condutas atribuídas aos integrantes do grupo.
A Polícia Federal não informou, no comunicado, se a sentença já transitou em julgado, nem detalhou a situação prisional atual dos 18 condenados.
Fonte. Polícia Federal, Comunicação Social em Rondônia. Informações divulgadas em 27 de outubro de 2026.
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