Quando Donald Trump abriu a boca num comício na Carolina do Sul, na noite de sábado, ninguém imaginava que aquelas palavras atravessariam o continente até provocar reação imediata do governo de Nicolás Maduro. O ex-presidente dos Estados Unidos disse que poderia autorizar uma ação militar contra a Venezuela caso volte à Casa Branca. Horas depois, ainda na madrugada de domingo, o espaço aéreo venezuelano foi fechado para qualquer avião norte-americano ou que estivesse ligado aos EUA, segundo informações divulgadas pela própria autoridade aeronáutica do país.
O anúncio veio seco, por meio de comunicado oficial, e pegou de surpresa companhias aéreas e pilotos que sobrevoavam o Caribe. A determinação vale para rotas comerciais e militares, num movimento raro e que expõe como a relação entre Washington e Caracas voltou a se tensionar. A medida afetou também voos em direção à América do Sul, obrigando aeronaves a mudarem de rota e aumentando o tempo de viagem.
Essa reação de Caracas ocorre num momento em que os dois países até tentavam manter conversas discretas sobre alívio de sanções e liberação de prisioneiros. A fala de Trump reaqueceu um histórico de atritos que inclui disputas por petróleo, acusações de interferência política e sucessivas trocas de ataques verbais ao longo dos últimos anos.
Nos bastidores da diplomacia latino-americana, avalia-se que o clima pode ficar mais pesado caso o tom de campanha nos Estados Unidos avance para ameaças diretas. Países vizinhos acompanham atentos, já que qualquer estremecimento entre EUA e Venezuela costuma respingar na região toda, atingindo comércio, fronteiras e até acordos humanitários.
Por enquanto, o fechamento do espaço aéreo segue valendo. E a tensão aberta a partir de uma frase de palanque mostra como a relação entre as duas nações continua fragilizada, à espera dos próximos passos de ambos os lados.
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