Secretário é flagrado em viagem internacional enquanto Porto Velho enfrentava alagamentos

Imagens divulgadas pelo Fato RO mostram o secretário de Infraestrutura em Lima, no Peru, durante horário de expediente, no mesmo dia em que a capital rondoniense lidava com ruas alagadas e moradores tentando salvar suas casas
Secretário é flagrado em viagem internacional enquanto Porto Velho enfrentava alagamentos
Reprodução Internet

O dia ainda nem tinha clareado direito quando a chuva desabou forte sobre Porto Velho, alagando ruas, derrubando muros e empurrando lixo para dentro das casas mais baixas. Enquanto o povo tentava salvar móveis, escoar a água com rodos e improvisar barreiras nas portas, uma informação divulgada pelo portal Fato RO caiu como balde de água fria na população: o secretário municipal de Infraestrutura aparecia em fotos passeando em Lima, no Peru, em pleno horário de expediente, no meio de uma das chuvas mais intensas do mês.

As imagens, registradas e publicadas pelo Fato RO, mostram o secretário caminhando tranquilamente ao lado da esposa, mochila nas costas, num clima totalmente distante da realidade de quem, em Porto Velho, estava atolado em lama e água barrenta. Segundo o site, não havia qualquer registro público de licença, férias ou missão oficial que justificasse a ausência do gestor exatamente no dia em que sua pasta tinha mais trabalho a desempenhar.

A cidade já enfrentava, desde cedo, pontos de alagamento na zona Sul, na região central e em bairros como Areal, Baixa União, Triângulo e Nacional. Bocas de lobo entupidas, valas tomadas pelo lixo e ruas sem drenagem adequada transformaram a chuva em transtorno. Moradores relataram ao portal que passaram horas tentando impedir que a água invadisse casas e comércios. Era justamente o tipo de situação que exige presença, articulação e comando direto da Secretaria de Infraestrutura, responsável pela manutenção urbana e pelas ações emergenciais em dias de temporal.

Enquanto isso, as fotos de viagem circulavam nas redes sociais, gerando indignação entre moradores que permaneciam ilhados dentro de suas próprias casas. A prefeitura não confirmou afastamento, tampouco apresentou justificativa oficial para a ausência do secretário fora do país em dia útil. Também não informou se havia sido designado algum substituto para responder pela pasta durante o período em que o titular se encontrava no exterior.

O episódio ganha atenção justamente porque Porto Velho vive, ano após ano, os mesmos problemas: drenagem insuficiente, bueiros obstruídos, ruas sem manutenção e uma estrutura que não acompanha o volume das chuvas amazônicas. Para quem mora aqui, basta a nuvem escurecer para surgir aquele medo antigo de perder o que tem. E a cobrança aumenta quando a população percebe que, enquanto corria para proteger o pouco que possui, uma das autoridades responsáveis pela infraestrutura da cidade estava longe, fora do país, sem explicação clara.

Agora, resta acompanhar se a prefeitura vai se manifestar oficialmente sobre o caso e se haverá alguma apuração interna a respeito da ausência do secretário no momento de maior necessidade do município. Em Porto Velho, a chuva passa, mas o rastro que ela deixa sempre cobra presença, responsabilidade e respeito com quem enfrenta essa rotina todos os anos.

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