A divulgação recente de cerca de três milhões de documentos ligados ao caso de Jeffrey Epstein trouxe novos elementos para um processo que, mesmo anos após a morte do financista, segue produzindo desdobramentos jurídicos, políticos e institucionais nos Estados Unidos e em outros países. O material foi tornado público em cumprimento a uma lei aprovada pelo Congresso norte-americano em novembro, que determinou a liberação integral de arquivos relacionados às investigações envolvendo Epstein e sua rede de relações.
Os documentos revelam que, poucos dias antes de morrer em uma prisão federal em Nova York, em 2019, os advogados de Epstein se reuniram com promotores federais para discutir, de forma genérica, a possibilidade de cooperação com as autoridades. Relatórios do FBI indicam que não houve proposta concreta, tampouco definição sobre que tipo de colaboração poderia ocorrer, mas o registro confirma que tratativas estavam em curso às vésperas do desfecho do caso.
Outro conjunto de arquivos aponta que o FBI recebeu, ao longo do tempo, diversas denúncias envolvendo Epstein e o então presidente Donald Trump. As informações, segundo os próprios documentos, não apresentam comprovação nem verificação formal, e o Departamento de Justiça afirmou que parte do material pode conter dados falsos ou não confirmados, reiterando que as alegações contra Trump não têm fundamento comprovado.
As novas revelações também ampliam o entendimento sobre o alcance das relações mantidas por Epstein com figuras do setor empresarial e tecnológico. E-mails indicam trocas frequentes com Elon Musk e a existência de planos, entre 2012 e 2013, para visitas à ilha privada do financista, viagens que, segundo os registros, não chegaram a ocorrer. Musk voltou a afirmar publicamente que manteve contato limitado e recusou convites.
Documentos igualmente mostram que Howard Lutnick, atualmente secretário de Comércio dos Estados Unidos, organizou uma visita à ilha de Epstein em 2012. Lutnick declarou anteriormente que rompeu relações anos antes e não responde a nenhuma acusação criminal relacionada ao caso.
No campo das conexões internacionais, e-mails sugerem que Andrew Mountbatten-Windsor convidou Epstein para um jantar no Palácio de Buckingham em 2010, após o término da prisão domiciliar do financista. Não há confirmação de que o encontro tenha ocorrido, embora ambos tenham sido fotografados juntos meses depois, em Nova York, fato que já havia sido objeto de questionamentos públicos no Reino Unido.
Os arquivos também incluem trocas de mensagens entre Epstein e o empresário britânico Richard Branson, além de comunicações antigas entre Casey Wasserman e Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por crimes ligados ao tráfico sexual. Wasserman afirmou que se arrepende do conteúdo das mensagens, enviadas anos antes da revelação dos crimes.
Outros nomes recorrentes nos documentos incluem o produtor e executivo esportivo Steve Tisch, que reconheceu uma breve relação social e trocas de e-mails, e o político britânico Peter Mandelson, associado a registros financeiros que ele afirma não reconhecer. Após novas revelações, Mandelson se desligou do Partido Trabalhista e pediu desculpas públicas às vítimas.
Por fim, uma fotografia incluída no material mostra o cineasta Brett Ratner ao lado de Epstein e duas mulheres, com os rostos ocultados, imagem que contradiz declarações anteriores do diretor de que não conhecia o financista.
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