A Colômbia escolheu um novo presidente neste domingo, 21 de junho, e o resultado veio mais apertado do que muita gente esperava. Abelardo de la Espriella, da direita, ligado ao movimento Defensores de la Patria, venceu o senador de esquerda Iván Cepeda, do Pacto Histórico, e assume o cargo em 7 de agosto, no lugar de Gustavo Petro. A diferença entre os dois foi mínima, e isso já diz bastante sobre o tamanho da divisão política do país.
Os números do preconteo deixaram a noite tensa até quase o fim. De la Espriella terminou com 49,66% dos votos, contra 48,70% de Cepeda, segundo a contagem preliminar divulgada pela Registraduría logo após o fechamento das urnas. Em votos absolutos, foram cerca de 12,9 milhões para o vencedor e perto de 12,7 milhões para o adversário, uma margem que cabe dentro de uma cidade média. Com esse total, De la Espriella se tornou o candidato presidencial mais votado da história colombiana.
A primeira rodada, no dia 31 de maio, já tinha mostrado para onde o vento soprava, mas sem nada definido. Naquela votação, De la Espriella ficou com 10.361.413 votos (43,74%) e Cepeda com 9.688.245 (40,90%), uma diferença de 673.168 votos que anunciava um segundo turno disputado voto a voto. E foi exatamente o que aconteceu. Como nenhum dos treze candidatos alcançou os 50% necessários na primeira rodada, a definição foi para 21 de junho.
Quem é o homem que vai governar a Colômbia até 2030 também conta parte da história. De la Espriella tem 47 anos, é advogado, fundou um escritório com sedes na Colômbia e em Miami e carrega três nacionalidades, a colombiana, a americana e a italiana. É conhecido como El Tigre. Construiu a campanha com discurso conservador e recebeu o apoio público de Donald Trump e da deputada republicana María Elvira Salazar. Do outro lado está Cepeda. Ele tem 63 anos, é filósofo, senador reeleito três vezes e filho de Manuel Cepeda Vargas, líder da União Patriótica assassinado em 1994, e fez carreira em torno dos direitos humanos e dos diálogos de paz com as FARC. Dois mundos diferentes brigando pela mesma cadeira.
O voto dos colombianos que moram fora também pesou. Mais de 1,4 milhão de cidadãos estavam habilitados a votar no exterior, num operativo com 3.700 mesas distribuídas em 116 consulados. Na primeira rodada, esse eleitorado tinha favorecido amplamente De la Espriella, que somou 155.816 votos (72%) frente a 32.324 de Cepeda em território americano. Um cientista político da Universidade del Rosario atribuiu essa vantagem à presença de empresários e gente de negócios com mais afinidade pelo programa do candidato da direita, que também vem do mundo empresarial.
A votação foi grande e organizada, só que nem tudo correu liso. O comparecimento chegou a 58,17%, o mais alto já registrado, e o número de votos nulos e em branco foi o menor em mais de vinte anos. Ao mesmo tempo, poucos minutos depois de a Registraduría completar o preconteo, Petro escreveu na rede social X que o sistema estaria subindo formulários E-14 sem a assinatura dos jurados e pediu que essas mesas fossem revisadas. A comissão escrutadora ainda vai cruzar os dados nas horas seguintes.
Tem um detalhe técnico que muda a forma de ler tudo isso. A apuração colombiana funciona em duas fases. O preconteo traz os números preliminares do dia da eleição e serve para informar. Depois vem o escrutínio, que revisa e consolida os votos e tem validade legal. Por isso a vantagem da contagem inicial já aponta o vencedor político, mas a proclamação oficial depende do fim das verificações. A previsão é que a proclamação aconteça nas horas seguintes ao fechamento das urnas, antes da posse marcada para 7 de agosto.
A eleição também marca a saída do Pacto Histórico depois de um único mandato. Petro assumiu em agosto de 2022 como o primeiro presidente de esquerda da história recente do país e não podia disputar a reeleição, porque a Constituição colombiana proíbe que um chefe de Estado siga ou volte ao poder. Cepeda recebeu a missão de manter o grupo no comando e não conseguiu.
De la Espriella chega ao cargo acompanhado de José Manuel Restrepo, que será o vice. Pela frente, o novo governo terá uma lista de temas que dominaram a campanha, entre eles a segurança, a situação fiscal, o emprego, a saúde, a relação com o Congresso e o tratamento das negociações de paz tocadas por Petro. Boa parte do que ele vai conseguir fazer depende da composição parlamentar eleita em março e da habilidade de montar maioria.
Com informações de Agencias de Notícias
Participe da nossa comunidade!
Clique aqui para entrar no grupo do WhatsApp






















