O atual cenário político da capital rondoniense apresenta um contraste evidente entre a narrativa construída nos meios digitais e a complexa realidade administrativa vivenciada nos bastidores. Desde que assumiu o Prédio do Relógio, o prefeito Léo Moraes, do PODE, tem priorizado ações de engajamento nas redes sociais, muitas vezes em detrimento da execução de políticas públicas estruturais básicas. Essa disparidade entre o marketing virtual e as demandas reais da população tem gerado críticas contínuas, as quais evidenciam um distanciamento preocupante entre as frentes do Poder Executivo e as necessidades concretas da cidade.
No âmbito do Legislativo as cobranças existem, ainda que enfrentem notável resistência institucional. Parlamentares como o vereador Marcos Combate, do AVANTE, apontam reiteradamente as falhas de gestão de forma pública. Surpreendentemente, a prefeitura demonstra uma tranquilidade ímpar diante dessas pesadas críticas, atitude que naturalmente fomenta especulações sobre as garantias dessa estabilidade. No meio político é de conhecimento geral o matrimônio do prefeito com Érika Moraes, procuradora atuante no Ministério Público de Contas junto ao Tribunal de Contas de Rondônia. Embora não se verifiquem irregularidades formais nessa relação, o vínculo direto com o órgão fiscalizador do Estado exigiria, sob a ótica da moralidade pública, um nível de transparência irretocável por parte da atual gestão. A ausência de respostas rápidas e objetivas do Executivo aos apontamentos apenas alimenta incertezas sociais sobre as possíveis dinâmicas de proteção nos corredores do poder.
O persistente clima de insatisfação com a condução política da atual administração culminou de forma gravíssima em um episódio recente. Durante a cerimônia oficial de entrega das unidades habitacionais do Residencial Porto Madero II e V, do programa Minha Casa Minha Vida, o prefeito Léo Moraes teria convocado os vereadores da capital nominalmente para ocuparem as cadeiras da plateia, impedindo-os de subir ao palco institucional. O evento marcava a conclusão de um projeto que contou historicamente com forte articulação do vereador Dr. Santana, cujo trabalho foi determinante para o destravamento das obras junto ao governo federal. Ao tentar se aproximar do palco para exercer seu papel de representante eleito, o parlamentar teria sido fisicamente interceptado pelo segurança pessoal do prefeito, identificado no documento policial como Bernardo, conhecido como S. Júnior, que o teria agarrado pelo braço para impedir sua passagem. Santana resistiu, caminhou até o palco e posicionou-se atrás do prefeito. Diante das câmeras ainda ligadas, questionou publicamente por que havia sido impedido de estar junto aos demais representantes. Léo Moraes teria rebatido transferindo a responsabilidade aos organizadores do evento, em resposta considerada evasiva por quem acompanhava a situação. Durante os discursos oficiais, o vereador recebeu apenas um minuto para falar, concedido pelo secretário executivo presente, representando o Ministério das Cidades. Santana usou o tempo para agradecer publicamente ao representante federal e para informar à população que havia sido impedido de participar da cerimônia.
O que seria um episódio lamentável de falta de cortesia institucional se transformou em caso de polícia logo após o encerramento do evento. Conforme consta detalhadamente no Boletim de Ocorrência de número 00062811 de 2026, registrado na Central de Registro de Ocorrências da Polícia Civil do Estado de Rondônia, o vereador Santana desceu do palco e se dirigiu ao prefeito para pedir explicações sobre o tratamento recebido. Nesse momento, segundo o relato registrado no documento policial, Kauany, filha de 21 anos do prefeito, que presenciava a cena, teria se exaltado ao ver o pai sendo cobrado publicamente e utilizado expressão de grave baixo calão contra o vereador. O registro policial narra que, a partir desse instante, Léo Moraes teria agarrado o vereador Santana pela gola da camisa com força e proferido a ameaça direta e explícita de que iria acabar com ele, na frente do vereador Breno e de pelo menos mais duas pessoas presentes no local. O mesmo documento assinado pelo agente de polícia Luciano Nascimento Souza, matrícula 300022727, registra ainda que o segurança Bernardo teria ameaçado o parlamentar de morte, afirmando que iria dar um tiro na sua boca. O presidente da Agência Reguladora do Município, Oscar Dias Neto, que também presenciava os fatos, teria intervindo no corredor pedindo ao vereador que não tomasse nenhuma atitude contra o prefeito e que não registrasse nenhuma ocorrência policial, orientação que o parlamentar optou por não seguir.
Diante de circunstâncias tão alarmantes e agora devidamente documentadas em registro policial oficial, a passividade da Câmara Municipal de Porto Velho torna-se fundamentalmente insustentável. Não se trata mais de rumores de bastidor ou de opinião política. Trata-se de um documento público da Polícia Civil do Estado de Rondônia descrevendo em detalhes uma suposta sequência de agressão física, ameaça de morte e tentativa de intimidação praticada contra um mandatário eleito pelo povo, dentro de um apartamento de programa habitacional federal, cometida pelo próprio chefe do Executivo Municipal e por integrantes de sua equipe. A omissão do Poder Legislativo frente a fatos de tal gravidade configura uma aceitação tácita do esvaziamento de sua própria autoridade constitucional. Torna-se imperativa a emissão de uma nota formal de repúdio e a convocação imediata de sessão para debater os fatos narrados no boletim. A sociedade civil rondoniense aguarda que seus representantes demonstrem vigor público e exijam respeito irrestrito entre os poderes, atitude fundamental para provar que administrar uma capital exige maturidade política verdadeira e não apenas roteiros elaborados para buscar visualizações na internet.

Participe da nossa comunidade!
Clique aqui para entrar no grupo do WhatsApp



















