Quilombolas de Belém lutam para manter a terra enquanto aterro avança

Comunidade Menino Jesus denuncia despejo irregular de lixo e teme perder o território que sustenta sua cultura
Quilombolas de Belém lutam para manter a terra enquanto aterro avança
Reprodução Internet

O dia amanheceu pesado na comunidade quilombola Menino Jesus, na zona rural de Belém, onde as famílias vivem há gerações cercadas de mata, roçado e histórias que passam de avó pra neto. Desde ontem, quando veio à tona que o projeto de um grande aterro sanitário segue adiante mesmo depois de decisão judicial que suspendia a licença, o sentimento é de que a poeira levantada pelos caminhões está tentando engolir também a memória daquele povo. A área atingida soma cerca de duzentos hectares, espaço que sustenta o plantio, a coleta e os modos de vida que moldam a identidade da comunidade.

Moradores contam que máquinas e caçambas voltaram a circular na região, despejando lixo onde antes só se ouvia o canto dos pássaros e o barulho do vento cortando as copas. O relato é de que o descarte estaria acontecendo de forma irregular, contrariando o que a própria Justiça determinou. Para quem vive ali, o impacto é imediato. A água começa a mudar de cheiro, a terra perde força e o medo de perder a posse do território vai crescendo como um fogo que não se apaga.

O pano de fundo dessa história toca diretamente na política ambiental que marcou a realização da COP30 na capital paraense. O Brasil assumiu compromissos formais de ampliar a proteção a povos tradicionais, reconhecendo que quilombolas e indígenas são peça-chave na conservação da floresta. Só que, na prática, o país ainda deixa um vácuo enorme. Dos mais de dois mil e quinhentos quilombos identificados, pouco mais de quatro por cento têm garantia legal de suas terras. O restante segue vivendo sob pressão, como se cada amanhecer fosse uma nova rodada da mesma disputa.

Na Menino Jesus, os moradores dizem que não rejeitam desenvolvimento, mas defendem que ele não pode atropelar quem já cuidava da terra muito antes de ela ter valor no papel. O sentimento é que, se a comunidade perder o território, não é só um pedaço de chão que vai embora. Vai junto uma forma sustentável de viver que, no silêncio da mata, mantém a Amazônia respirand

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