Enquanto a maioria dos estados brasileiros comemorou uma queda histórica nos crimes contra a vida, Rondônia ficou de fora dessa conta. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, mostra que o número de mortes violentas intencionais no estado cresceu 7,5% em 2025, na comparação com o ano anterior. É um resultado que chama atenção justamente porque o Brasil, como um todo, fechou o ano com o menor índice desde que essa medição começou, em 2012.
No país, a taxa caiu de 20,6 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes. Em números absolutos, foram 40.775 registros em 2025, contra 44.127 no ano anterior. Homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte recuaram. Só que Rondônia não seguiu esse caminho, e ficou entre apenas sete unidades da federação que registraram alta no período, atrás somente do Rio Grande do Norte, que teve o pior número do país.
Tem uma coisa que explica boa parte desse resultado em Rondônia, e não é o homicídio comum. Foi o crescimento das mortes decorrentes de intervenção policial. Em 2024, o estado tinha registrado oito ocorrências desse tipo. Em 2025, foram 47. Um salto de 485,6%, que fez essas mortes passarem a representar quase um décimo de todas as mortes violentas contabilizadas no estado.
Os outros números, olhados isoladamente, até sugerem estabilidade. Homicídio doloso foi de 433 para 439 casos, uma variação pequena. Latrocínio caiu de dez para cinco, e lesão corporal seguida de morte foi de seis para dois. Mas é justamente esse crescimento nas mortes por ação policial que muda o resultado final e coloca o estado na lista de quem piorou, e não na lista de quem melhorou.
A violência contra a mulher também pesa nessa conta. O anuário mostra que os feminicídios em Rondônia cresceram 66% em um ano, um dos maiores aumentos entre os estados do país. Já os maus-tratos aparecem com a segunda maior taxa do Brasil, 197,3 ocorrências por 100 mil habitantes, bem acima da média nacional, que fica em 77,4.
Porto Velho também entra nessa lista de indicadores preocupantes, mas por outro motivo. A capital ocupa a sexta posição entre as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes em roubo e furto de celular, com taxa de 1.123,2 aparelhos subtraídos a cada 100 mil moradores. E Rondônia segue como o único estado da região Norte com taxa de estelionato acima de mil registros por 100 mil habitantes.
Os dados fazem parte da 20ª edição do anuário, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que reúne informações repassadas pelas secretarias estaduais de segurança de todo o país.
Participe da nossa comunidade!
Clique aqui para entrar no grupo do WhatsApp

















