O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na sexta-feira (12) a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, de 43 anos, conhecido como “Niño Guerrero”, apontado como líder do Tren de Aragua. Ele afirmou que o Comando Sul dos Estados Unidos executou um ataque cinético rápido e letal contra o chefe da facção, numa publicação feita na rede Truth Social.
Trump disse que a ação foi feita em coordenação com a Venezuela e divulgou um vídeo. As imagens mostram uma grande explosão destruindo um prédio. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, contou que as forças americanas atingiram um complexo do Tren de Aragua dentro do território venezuelano.
O governo da Venezuela também confirmou a morte. O ministério das Comunicações do país informou que Guerrero Flores foi morto numa operação combinada entre forças dos EUA e os serviços de segurança venezuelanos, voltada ao crime organizado no estado de Bolívar. Segundo o governo venezuelano, a ação conjunta envolveu troca de inteligência e apoio técnico especializado, e houve confronto com membros das estruturas criminosas durante a operação.
Para entender essa cooperação, vale lembrar o que mudou nos últimos meses. A colaboração entre os dois governos veio cinco meses depois que os militares americanos retiraram Nicolás Maduro do poder, numa incursão noturna. Maduro foi levado a Nova York, onde a Justiça federal o acusou de tramar a importação de cocaína para os Estados Unidos, em parte através de uma suposta parceria com o Tren de Aragua e outros cartéis, e ele se declarou inocente. Desde então, a Venezuela passou a ser comandada pela ex-vice de Maduro, Delcy Rodríguez, e a gestão Trump tem buscado trabalhar com o governo dela.
Guerrero era visto como o cérebro por trás da transformação do grupo. Ele recebeu o crédito de converter uma facção carcerária venezuelana numa operação transnacional com tentáculos espalhados por boa parte da América Latina, pelos Estados Unidos e até do outro lado do Atlântico, na Espanha. As autoridades de diversos países o relacionavam a crimes como extorsão, sequestro, homicídio, tráfico de pessoas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A história dele com a prisão de Tocorón ajuda a explicar como o grupo cresceu. Depois que o governo de Maduro ocupou militarmente o presídio em setembro de 2023, anunciando ter desmantelado a facção, Guerrero virou foragido da Justiça. Acusado no fim do ano passado num tribunal federal de Nova York por organização criminosa, conspiração para apoiar terroristas e tráfico de cocaína, ele era tratado como fugitivo procurado, e o Departamento de Estado chegou a oferecer até 5 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura.
Na publicação, Trump usou a morte para reforçar seu discurso contra facções que cruzam fronteiras. Ele escreveu que os terroristas do Tren de Aragua não têm mais refúgio seguro na Venezuela nem em lugar nenhum, e que vai encontrar esses assassinos e traficantes a qualquer hora e em qualquer lugar. A morte faz parte de uma campanha militar mais ampla que já matou mais de 200 pessoas em ataques a embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
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