Os Estados Unidos estão deslocando centenas de militares e equipamentos para a América Latina como parte da estratégia do governo Donald Trump de combate ao narcotráfico. Segundo o jornal The New York Times, pelo menos 600 soldados participarão de treinamentos e exercícios com forças locais no Panamá, na Colômbia e em Honduras. Os primeiros já foram enviados a um centro de treinamento no Panamá.
Separadamente, drones do modelo MQ-9 Reaper, conhecidos como caçadores-assassinos, foram redirecionados da África para o Equador e a Colômbia. Os dois países enfrentam a atuação de facções criminosas classificadas como organizações terroristas pelo governo americano. Parte dos soldados poderá ainda dar apoio a forças de operações especiais que assessoram exércitos locais em ações contra suspeitos de tráfico de drogas.
Para o cientista político Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj, os militares americanos devem atuar principalmente como assessores, e não na linha de frente das operações. Ele avalia que o envio de 600 soldados é um deslocamento pequeno diante dos objetivos anunciados por Washington e que a disputa geopolítica com a China também ajuda a explicar o crescente interesse dos EUA pela região. O Brasil não integra o Escudo das Américas, iniciativa de Trump que orienta boa parte dessa movimentação.
Especialistas ouvidos pelo New York Times questionam a eficácia de eliminar integrantes de organizações criminosas como forma de reduzir o tráfico de drogas. Organizações de direitos humanos alertam para o risco de vítimas civis caso as operações sejam ampliadas para alvos em terra. O deslocamento das tropas tem caráter temporário, mas autoridades americanas não descartam que as rotações se tornem parte permanente da presença militar dos EUA na América Latina.
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