Morte de “Sicário” expõe bastidores da operação que atinge o Banco Master

Investigado apontado como operador do grupo ligado a Daniel Vorcaro morreu após tentativa de suicídio na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte.
Morte de “Sicário” expõe bastidores da operação que atinge o Banco Master
Reprodução Internet

A terceira fase da Operação Compliance Zero trouxe um desdobramento dramático para a investigação que atinge o Banco Master. O investigado Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”, morreu após tentar tirar a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Belo Horizonte.

Mourão foi preso na manhã de 4 de março durante a nova fase da operação que também resultou na segunda prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. Ele era apontado pelos investigadores como um dos operadores mais próximos do núcleo central da organização investigada.

Após a prisão, o investigado foi levado para a carceragem da superintendência regional da Polícia Federal em Minas Gerais, onde permaneceu sob vigilância. Em determinado momento da tarde, câmeras de segurança da unidade registraram quando ele utilizou a própria camisa para tentar se enforcar dentro da cela.

Agentes responsáveis pela custódia perceberam a movimentação por meio do monitoramento interno e entraram imediatamente na cela. Os policiais interromperam a tentativa e iniciaram procedimentos de socorro enquanto acionavam equipes médicas.

O atendimento de emergência foi realizado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Mourão foi encaminhado ao Hospital João XXIII, unidade hospitalar referência em atendimento de trauma na capital mineira.

Ele deu entrada em estado considerado gravíssimo e foi encaminhado diretamente para o centro de terapia intensiva. Equipes médicas iniciaram procedimentos para estabilização, mas o quadro neurológico evoluiu rapidamente. Diante da gravidade, foi aberto protocolo clínico para confirmação de morte cerebral. O óbito foi confirmado posteriormente.

A defesa de Mourão afirmou que esteve pessoalmente com ele poucas horas antes do incidente, no início da tarde. Segundo os advogados, naquele momento o investigado apresentava plena integridade física e mental. A defesa declarou que tomou conhecimento da tentativa de suicídio apenas após a divulgação de uma nota oficial da Polícia Federal.

Nos relatórios da investigação, Mourão aparece descrito como peça relevante dentro da estrutura investigada pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, ele executava ordens diretas do núcleo central da organização e era responsável por tarefas consideradas sensíveis dentro do grupo.

Entre essas funções estavam o monitoramento de pessoas consideradas adversárias, a coleta e extração irregular de dados em sistemas sigilosos e a realização de ações de intimidação física e moral. A Polícia Federal afirma que ele também participava da vigilância de jornalistas, ex-funcionários e pessoas que, na avaliação do grupo, poderiam representar risco às atividades investigadas.

Mensagens encontradas em celulares apreendidos indicam uma dinâmica considerada agressiva nas conversas entre Mourão e Vorcaro. Segundo os investigadores, os diálogos revelam discussões sobre monitoramento de alvos e a adoção de métodos de pressão contra pessoas consideradas prejudiciais aos interesses do grupo.

Relatórios da investigação também apontam que Mourão recebia valores elevados para executar essas tarefas. Documentos da Polícia Federal mencionam pagamentos mensais que chegariam a cerca de um milhão de reais pelos serviços prestados à organização.

O material apreendido pelos investigadores inclui mensagens, registros de comunicação e outros dados obtidos a partir de aparelhos eletrônicos que pertenciam ao grupo investigado. Essas análises ajudaram a identificar a estrutura interna da organização e a divisão de tarefas entre seus integrantes.

Segundo os investigadores, o grupo possuía diferentes núcleos de atuação. Um deles era responsável pela captação de recursos e movimentações financeiras ligadas ao Banco Master. Outro núcleo atuaria em tarefas de monitoramento e pressão contra pessoas consideradas prejudiciais aos interesses do grupo.

Dentro dessa estrutura aparece uma espécie de célula informal identificada nos autos como “A Turma”. Esse grupo seria responsável por ações de vigilância, coleta de informações e iniciativas de intimidação.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A Polícia Federal apura a emissão de títulos com promessas de rentabilidade acima da média do mercado, prática que teria permitido a captação de grandes volumes de recursos.

Parte desses valores, segundo os relatórios da investigação, teria sido direcionada para operações consideradas de alto risco, aquisição de ativos com baixa liquidez e aplicações em fundos ligados ao próprio conglomerado financeiro.

A investigação também aponta movimentações financeiras bilionárias e possíveis irregularidades na gestão desses recursos.

Na terceira fase da operação, mandados de busca e apreensão e de prisão foram cumpridos em diferentes estados. Em Minas Gerais, agentes executaram sete mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão na região metropolitana de Belo Horizonte e em cidades do interior do estado.

A mesma ofensiva também resultou na nova prisão de Daniel Vorcaro em São Paulo. As investigações ganharam novos elementos após a análise de mensagens e arquivos encontrados em aparelhos celulares apreendidos com o banqueiro, que passaram a revelar detalhes sobre o funcionamento interno da organização investigada.

Com informações de Agências de Notícias

Participe da nossa comunidade!
Clique aqui para entrar no grupo do WhatsApp

Back To Top