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Por Arnaldo Buiu: CPI do INSS e o acerto de contas com a mistura entre religião, política e dinheiro público

Exoneração, ataques públicos, religiosos investigados, parlamentares de Rondônia e o retorno da coluna Verdade Sem Curva após três anos de embates e acusações
Por Arnaldo Buiu: CPI do INSS e o acerto de contas com a mistura entre religião, política e dinheiro público
Reprodução Internet

A vida seguiu, e os fatos chegaram

Porém, isso não veio a acontecer. A minha vida continuou. Continuei trabalhando e mantendo a firme ideia daquilo que eu tinha como percepção e que agora se configurou como verdadeiro. O tempo passou, os fatos se acumularam e aquilo que antes era tratado como exagero começou a ganhar forma concreta.

Nada caiu do céu. As investigações avançaram, as informações começaram a se conectar e a realidade se impôs, independentemente da vontade de quem tentou desqualificar.

O desafio de integridade moral

E, diante disso, eu lanço um desafio de integridade moral. Um desafio claro, direto. Uma das pessoas que mais assacou contra o meu nome, tentando lacrar em redes sociais, foi o deputado Delegado Camargo.

Eu o desafio, diante das provas que tenho, diante de tudo o que está acontecendo na CPI do INSS e também do envolvimento de religiosos com o Banco Master, tema da minha próxima coluna, a me pedir desculpas. Seria o mínimo de decência que esse parlamentar poderia ter, em termos de caráter, ao admitir o erro e a maldade cometida à época.

O abaixo-assinado e a exoneração

Nesse mesmo diapasão, lembro muito bem do abaixo-assinado organizado por religiosos pedindo ao prefeito Hildon Chaves a minha imediata exoneração. Alegavam que eu atingia a fé, que promovia intolerância religiosa e que alguém como eu jamais deveria fazer parte dos quadros da prefeitura ou assessorar um político importante.

O que veio a ocorrer foi simples e direto: fui exonerado.

A comemoração e o escárnio público

Após isso, vieram as piadinhas. Religiosos em redes sociais comemorando, dizendo que tinham conseguido uma vitória e que agora eu passaria fome. Diziam que eu era incompetente, que não conseguiria viver sem a mamata, sem a teta dos governos, sem verbas públicas.

A intenção era clara. Não era apenas me afastar, mas me desmoralizar publicamente.

As investigações e os nomes que surgem

As investigações continuaram. E hoje já resta provado, inclusive com nomes de religiosos famosíssimos de grandes igrejas, que eles figuram na relação desses criminosos. Não é mais suposição, não é mais discurso solto.

São fatos que vieram à tona e que desmontam narrativas construídas durante anos.

A crítica antiga à mistura entre religião e política

Há cerca de três anos, quando eu ainda trabalhava na Prefeitura de Porto Velho, fiz um comentário em rede social sobre a mistura entre religião e política. Disse que qualquer religioso, independentemente da denominação, que usasse Deus e Jesus como cabos eleitorais criava uma ruptura indecente entre moralidade e promiscuidade política.

Foi isso que gerou tanta reação, tanta fúria e tanta tentativa de silenciamento.

O choque com o envolvimento de líderes religiosos

O que chama atenção agora é algo inesperado. Segmentos religiosos de direita, representantes do discurso “Deus, Pátria e Família”, adentraram um esquema sórdido e criminoso de ladroagem.

E, para surpresa de muitos, estão sendo denunciados por irmãos parlamentares, como no caso da senadora Damares Alves, que trouxe à baila nomes de grandes líderes religiosos que enriqueceram com dinheiro roubado do INSS.

A gravidade dos crimes contra os mais vulneráveis

O crime praticado é de tamanha monta que as penas serão muito grandes. Eles não mexeram apenas com pessoas simples. Mexeram com beneficiários do BPC, com pessoas com deficiência física, com cidadãos em tratamento de doenças graves como câncer e outras comorbidades severas.

Essas pessoas foram impiedosamente saqueadas. Isso agrava ainda mais as punições previstas em lei.

Um esquema que envolve vários setores

Com o desdobramento dos fatos, informações e investigações começaram a chegar. Infelizmente, variados segmentos sociais estão envolvidos até o pescoço nesse esquema sórdido, que prejudicou profundamente os velhinhos aposentados do INSS.

O dano não foi pequeno. Foi estrutural.

A tentativa de jogar tudo no colo do PT

Imaginava-se que esse esquema desaguaria no colo do Partido dos Trabalhadores. Em regra, o nome de Lula sempre vem à baila por ser o presidente do país e filiado à legenda.

Tudo foi feito no sentido de enfraquecer, diminuir ou descredibilizar as ações sociais do governo Lula em seu terceiro mandato, tentando obstruir uma possível candidatura em 2026.

A CPI do INSS e o tiro no pé

O resultado foi um tiro no pé. Quando o deputado federal por Rondônia Coronel Chrisóstomo fez o requerimento que resultou na instalação da CPI do INSS, talvez não soubesse o tamanho do problema que estava ajudando a expor.

Hoje, aos olhos de muitos rondonienses, o desgaste recai sobre quem acreditou que o escândalo teria endereço político único.

O retorno da Verdade Sem Curva

Janeiro de 2026. Arnaldo Buiu retorna com a coluna Verdade Sem Curva. Não como revanche, mas como continuidade. Porque os fatos estão aí, as provas estão postas e a tentativa de silenciar não funcionou.

A verdade pode até demorar. Mas quando chega, não pede licença.

 

Obs.: O conteúdo deste artigo expressa exclusivamente a opinião do autor, sendo ele o único responsável pelas informações e posicionamentos apresentados.

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