O Instituto Patris, com sede em Cuiabá, recebeu do Governo de Goiás um contrato de R$ 226,8 milhões para administrar o Hospital Estadual de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. O acordo foi assinado em junho de 2022, com prazo de 48 meses, e previa o encerramento da gestão em 12 de junho de 2026.
Antes de assumir a unidade, a entidade havia sido qualificada pelo governo goiano como Organização Social de Saúde, em dezembro de 2021. O decreto registra o Instituto Patris sob o CNPJ 37.678.845/0001-40, com endereço na Rua Antônio João, no Centro Norte de Cuiabá. A partir dessa qualificação, a organização ficou apta a participar de procedimentos voltados à administração de unidades estaduais de saúde.
Poucos meses depois, o instituto assumiu a gestão do Hospital Estadual de Luziânia. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o contrato previa o gerenciamento da unidade, a execução dos serviços e a implantação de áreas como centro cirúrgico, maternidade e atendimento em diferentes especialidades.
O valor inicial do acordo foi fixado em R$ 226.838.371,20. Em dezembro de 2024, um termo aditivo acrescentou R$ 10.763.068,97 ao contrato, após mudanças no número de leitos e nos custos da unidade. Juntos, o valor original e o aditivo somam cerca de R$ 237,6 milhões, sem incluir repasses feitos depois para o pagamento do piso salarial da enfermagem.
Documentos publicados no Diário Oficial também registram transferências complementares. Em fevereiro de 2025, o Estado destinou R$ 364.875,76 ao Instituto Patris para o pagamento do piso nacional de enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiras. No mês seguinte, outro apostilamento liberou R$ 375.094,88 para a mesma finalidade.
Esses repasses tinham destinação específica e não fazem parte do aditivo de custeio assinado em 2024.
A atuação do instituto em Goiás também foi acompanhada por cobranças do Conselho Estadual de Saúde. Em resolução aprovada em fevereiro de 2023, o colegiado pediu que a Secretaria de Saúde corrigisse problemas encontrados na documentação do contrato.
O Conselho registrou a presença de documentos divergentes dentro do mesmo processo e informou que a análise havia sido prejudicada pela existência de mais de um termo de referência, mais de uma versão do contrato e diferentes conjuntos de anexos.
A resolução também cobrou respostas formais da secretaria sobre as recomendações apresentadas em parecer técnico. O documento não apontou fraude nem determinou o cancelamento do acordo, mas registrou falhas documentais que deveriam ser corrigidas pelo governo.
Durante o período de gestão, o hospital manteve serviços de maternidade, cirurgias e atendimento regional. Em fevereiro de 2025, a unidade informou ter alcançado a marca de 3 mil partos. Em dezembro do mesmo ano, recebeu certificação de acreditação hospitalar em nível 2, conforme publicação da Secretaria de Saúde.
Os registros estaduais disponíveis indicam que o contrato começou em 13 de junho de 2022 e tinha encerramento previsto para 12 de junho de 2026. A página oficial consultada não apresenta extensão desse prazo dentro do mesmo contrato. Publicações feitas ao longo de 2026 mostram que o Instituto Patris continuava à frente da unidade nos meses anteriores à data prevista para o fim do acordo.
Em publicação de dezembro de 2025, a própria Secretaria de Saúde identifica Guilherme Abrão como presidente do Instituto Patris. O texto oficial, porém, não informa sua profissão nem estabelece ligação dele com investigação da Polícia Federal em Mato Grosso.
Também não foi encontrada, nas fontes oficiais consultadas, decisão judicial que condene o Instituto Patris ou seus dirigentes pelos fatos citados no texto inicial. Da mesma forma, não aparece ordem judicial suspendendo o contrato de gestão do Hospital Estadual de Luziânia.
Qualquer reportagem que ligue a entidade a um grupo investigado precisa informar o nome da operação, a data da ação, as pessoas citadas no inquérito e os documentos que comprovem a relação entre os investigados e o instituto.
Sem esses elementos, a associação pode atribuir envolvimento criminal a pessoas ou organizações sem prova suficiente.
Os registros oficiais confirmam um contrato de alto valor, um aditivo superior a R$ 10 milhões e cobranças do Conselho Estadual de Saúde sobre a organização dos documentos. Esses fatos permitem apuração sobre fiscalização, prestação de contas e execução dos serviços, mas não comprovam, por si só, a existência de crime cometido pelo Instituto Patris ou por seu presidente.
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