A sessão ordinária realizada nesta segunda-feira (25) na Câmara Municipal de Porto Velho acabou expondo um desgaste político dentro da gestão do prefeito Leo Moraes (PODE). Quatro projetos enviados pela prefeitura foram retirados da pauta antes da votação, numa decisão que passou a ser vista nos bastidores como sinal de perda de força do Executivo dentro da própria base aliada.

Os supostos pedidos partiram dos vereadores Fernando Silva e Adriano Gomes, que também preside a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Orçamento da Casa. A justificativa apresentada foi técnica. Segundo os parlamentares, os textos enviados pela prefeitura tinham inconsistências e pontos considerados insuficientes para análise completa.
Mesmo assim, a retirada simultânea das quatro matérias teve leitura política imediata dentro da Câmara. Vereadores avaliam reservadamente que uma situação desse tamanho dificilmente acontece sem desgaste entre prefeitura e Legislativo, ainda mais envolvendo projetos tratados como prioridade pelo Executivo.
Nos corredores da Câmara, a avaliação predominante é de que o problema já ultrapassa a discussão técnica. Parlamentares e interlocutores ligados ao Legislativo afirmam que a relação entre parte da base e a prefeitura começou a sofrer desgaste nas últimas semanas, principalmente por dificuldades de comunicação entre vereadores e integrantes da administração municipal.
Depois da sessão, começou a circular a possibilidade de convocação de uma sessão extraordinária nesta terça-feira (26), numa tentativa de recolocar os projetos em votação. Só que, segundo fontes ligadas ao Legislativo, ainda não existe articulação suficiente para garantir aprovação tranquila das matérias.
A insatisfação dentro da base também passou a aparecer de forma mais evidente. Vereadores reclamam da falta de retorno para demandas encaminhadas por bairros e comunidades, além da dificuldade de diálogo com setores da prefeitura.
Dentro da Câmara, alguns parlamentares avaliam que esse distanciamento acaba afetando diretamente a sustentação política da gestão de Léo Moraes. Sem participação mais ativa nas decisões e sem espaço nas articulações, parte dos vereadores começou a adotar postura mais independente durante as votações.
A sessão também deixou exposta outra dificuldade enfrentada pelo Executivo. Parlamentares afirmam que a prefeitura ainda não conseguiu consolidar uma liderança política forte dentro da Câmara para organizar a base e construir entendimento antes das votações mais delicadas.
Os próximos dias devem servir como teste para medir o tamanho do desgaste entre prefeitura e vereadores. Caso os projetos retornem à pauta e avancem após negociação, a prefeitura pode reduzir a pressão criada depois da sessão desta segunda-feira. Se novas resistências aparecerem, essa leitura dentro da Câmara tende a ganhar ainda mais força.
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