A sessão ordinária realizada nesta segunda-feira (25) na Câmara Municipal de Porto Velho aprofundou a percepção de desgaste político da gestão do prefeito Léo Moraes dentro do Legislativo. A retirada de quatro projetos considerados prioridade para a prefeitura passou a ser interpretada nos bastidores como sinal de que a construção política da administração municipal dentro da Câmara começou a perder força.
Segundo informações obtidas junto a outros interlocutores do Legislativo, o clima de tensão começou ainda antes da abertura oficial da sessão. Uma reunião realizada a portas fechadas na sala reservada dos vereadores teria reunido integrantes da Câmara para discutir a manutenção de projetos do Executivo na pauta do dia.
Durante a reunião as portas fechadas, o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), vereador Fernando Silva, passou a questionar a ausência de parecer da comissão em parte das matérias que seriam apreciadas em plenário. O impasse ganhou dimensão maior porque os projetos eram tratados como prioridade pela prefeitura e já constavam oficialmente na Ordem do Dia da 27ª Sessão Ordinária.
Depois da discussão interna, os quatro projetos acabaram retirados antes da votação.
Nos corredores da Câmara, vereadores avaliam reservadamente que a situação dificilmente teria ocorrido meses atrás, quando a prefeitura ainda demonstrava maior capacidade de articulação dentro da Casa. Hoje, segundo relatos feitos nos bastidores, a construção política da administração municipal aparenta não ter mais o mesmo controle sobre a própria base.
Parlamentares afirmam que a falta de coordenação prévia permitiu que divergências internas viessem à tona justamente numa sessão considerada estratégica para o Executivo.
Outro detalhe ampliou ainda mais o desgaste político. O documento oficial divulgado pela Diretoria Legislativa no mesmo dia da sessão apresenta uma matéria prevista para segunda discussão e votação, mesmo sem existir registro público da primeira apreciação do projeto em plenário.
A situação passou a gerar desconforto dentro da Câmara porque o rito legislativo exige etapas formais antes da segunda votação de qualquer matéria.
Nos bastidores, vereadores passaram a interpretar o episódio como demonstração de fragilidade política da prefeitura dentro do Legislativo. A retirada simultânea das quatro matérias acabou fortalecendo críticas relacionadas à falta de liderança consolidada capaz de organizar a base, alinhar votações e evitar conflitos públicos antes das sessões.
As matérias previstas para apreciação incluíam propostas ligadas ao Plano de Cargos da administração tributária, alterações no programa Faculdade da Prefeitura, criação da política municipal de ciência e tecnologia e autorização para doação de imóveis destinados à implantação do Hospital Universitário da UNIR.
Depois da sessão, começou a circular a possibilidade de convocação extraordinária para recolocar os projetos em votação após regularização dos pareceres e ajustes regimentais considerados necessários, que acabou acontecendo horas depois, conforme documentos em anexo.
Mesmo assim, dentro da Câmara, a avaliação predominante é de que o desgaste político já ficou evidente. Integrantes do Legislativo afirmam que a prefeitura enfrenta hoje dificuldades para manter unidade da própria base e garantir estabilidade em votações consideradas prioritárias para a administração municipal.
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