A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, de 38 anos, foi presa na manhã de quinta-feira, 21 de maio, durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Gaeco, o grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Polícia Civil do estado. Ela é investigada por suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, o Primeiro Comando da Capital, maior organização criminosa do país.
Para quem não está familiarizado com o termo, lavar dinheiro significa disfarçar a origem ilícita de valores obtidos com o crime, fazendo esse dinheiro circular por empresas e contas bancárias como se fosse lucro legítimo. De acordo com os investigadores, Deolane teria ocupado uma posição relevante nessa estrutura financeira, não no tráfico em si, mas na parte que cuida de esconder e movimentar os recursos.
A história que levou à prisão dela começou bem antes de seu nome aparecer nas investigações. Tudo partiu de 2019, quando agentes penitenciários encontraram manuscritos descartados no esgoto de uma cela da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior paulista. Esses papéis deram início a uma cadeia investigativa que, sete anos depois, chegou até a influenciadora com mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais.
Deolane não foi a única alvo da operação. Entre os demais investigados estão familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder histórico do PCC que já se encontra preso. Ao todo, seis mandados de prisão preventiva foram cumpridos.
Após a detenção, ela foi transferida na manhã de sexta-feira, 22 de maio, para uma unidade prisional em Tupi Paulista, município no interior de São Paulo. A defesa dela, representada pelo advogado Rogério Nunes, confirmou ter solicitado à Justiça o regime de prisão domiciliar. O argumento apresentado é que Deolane tem uma filha de nove anos que necessita de seus cuidados. O pedido ainda aguardava análise.
Não é a primeira vez que ela se vê nessa situação. Em setembro de 2024, já havia sido presa durante a Operação Integration, voltada a investigações sobre o mercado de apostas esportivas e lavagem de dinheiro. Naquela ocasião, negou as acusações e disse ser alvo de perseguição. Chegou a receber convocação para depor na comissão parlamentar de inquérito das Bets, no Senado, mas obteve uma decisão no Supremo Tribunal Federal que a desobrigou de comparecer.
A defesa mantém a mesma linha de sempre e nega qualquer vínculo com organizações criminosas, afirmando que todos os rendimentos de Deolane têm origem lícita. A Justiça ainda vai se pronunciar sobre os próximos passos do caso.
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