Em diversas câmaras municipais do país, a figura do vereador que raramente sobe à tribuna chama atenção porque o plenário é, por natureza, o espaço da palavra, do posicionamento público e do registro formal das ideias que orientam o mandato. Mesmo assim, há parlamentares que comparecem às sessões, votam projetos, integram comissões e mantêm rotina administrativa ativa, mas não utilizam o microfone para expor demandas, justificar votos ou cobrar providências do Executivo. Esse padrão passou a ser conhecido como efeito Tiririca, numa referência ao deputado federal Tiririca, nome artístico de Francisco Everardo Oliveira Silva.
Ao longo de dois mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, entre 2011 e 2018, Tiririca teve participação limitada em pronunciamentos no plenário. Em dezembro de 2017, após sete anos de atuação, utilizou a tribuna pela primeira e única vez para anunciar que deixaria a vida pública. Na ocasião, afirmou que aquele era seu primeiro e último discurso, declarou estar decepcionado com a política nacional e disse sentir vergonha do ambiente que encontrou em Brasília. O episódio ganhou repercussão porque evidenciou o contraste entre a votação expressiva que o elegeu e a baixa presença discursiva ao longo do mandato, consolidando o uso informal da expressão para classificar mandatos com perfil semelhante.
A expressão ganhou força porque simboliza o contraste entre expectativa eleitoral e presença discursiva, já que muitos eleitores associam representação política à fala pública, ao enfrentamento de temas sensíveis e à defesa explícita de pautas de interesse dos portovelhenses. Quando isso não acontece, mesmo que o vereador atue nos bastidores, protocole requerimentos e mantenha articulação com secretarias municipais, a percepção externa é de silêncio. O regimento interno das câmaras não impõe a obrigação de discursar, portanto não há irregularidade formal, mas a ausência reiterada de pronunciamentos reduz a visibilidade do trabalho e dificulta ao eleitor compreender quais são as posições do seu representante.
Em Porto Velho, um nome lembrado nesse contexto é o de Carlos Damaceno, vereador de legislaturas passadas que ficou conhecido por quase não utilizar a tribuna durante as sessões da Câmara Municipal. Ele mantinha presença regular, participava das votações e tinha atuação política reconhecida nos corredores da Casa e junto a bases específicas, mas raramente fazia uso da palavra no plenário. Para alguns colegas, tratava-se de um estilo pessoal marcado por atuação reservada e foco na articulação direta, enquanto para parte da imprensa e de observadores da política local essa postura limitava a exposição pública do mandato.

O contraste dentro da própria Câmara de Porto Velho aparece quando se observam vereadores como Marcos Combate, Sofia Andrade e Breno Mendes, que utilizam a tribuna com frequência para defender pautas, justificar votos e se posicionar durante as sessões. Enquanto alguns optam por uma atuação mais discreta e menos discursiva, outros transformam o espaço de fala em instrumento constante de visibilidade política, mostrando que diferentes estilos de mandato convivem no mesmo parlamento.
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